Existe?

Que confusão por ali ia!
Tudo fora do seu lugar!
Resmas de caixotes que, generosamente, abrigavam  diversos bens.
Trabalho havia de sobra, como alegria para a família Pires. Estavam em mudanças de um apartamento para uma moradia antiga com jardim e piscina, no mesmo local onde sempre tinham vivido.
Maria, como admiradora de antiguidades, convencera o marido a comprá-la, assim como, alguns dos seus móveis. Fascinava remodelá-la e conjugá-los com peças modernas.
Enquanto limpava a gaveta de um deles, um envelope fechado e amarelado caiu. Maria e a governanta Laura olharam, instintiva e repetidamente, em silêncio, uma para a outra e para o envelope.
Maria virou-o.
Tinha destinatário – uma mulher - e remetente - um homem - escritos a caneta de tinta permanente.
- Minha Senhora, que será tal coisa? - perguntou Laura.
- Então não vê? É um envelope. - respondeu Maria.
- Senhora, isso eu sei. É um envelope fechado e com muitos anos. Vai entregá-lo aos vendedores? -  questionou-a.
- Claro que não. Está louca, Laura? Ao tempo que aqui ninguém habita. Recorda-se destes nomes?
- Eu não, Senhora. E olhe que já vivo aqui há mais de 60 anos. - respondeu.
Intrigada e a medo Laura perguntou:
- Minha Senhora, não me diga que o vai abrir? Não abra por favor. Deve ser bruxedo! - implorou Laura.
- Ó Laura, deixe-se disso. Que sacrilégio! - afirmou Maria.
 -Olhe que existe Senhora. Acredite! Deite o envelope fora. Vai-se arrepender! - continuava Laura.
Tão depressa o disse, como Maria o abriu, tirando a carta do seu interior. Leu-a e olhou para Laura sorrindo.
- Que lindo, Laura! É uma confissão de amor para a eternidade. Foi colocado, propositadamente, debaixo da forra da gaveta para ser encontrado anos mais tarde.
- Não me diga, Senhora! Afinal o amor existe?


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