MÃE:
Como é difícil escolher o teu presente
de aniversário!
Fará
sentido tirar dinheiro da minha mesada para o comprar?
Acho
que não Mãe, eu só tenho 13 anos. Sou apenas um “pré” a caminho de adolescente. Apesar disso, sei muito mais do que
imaginas, podes acreditar.
Conheço
de cor o som do teu choro, das lágrimas que derramavas quando o pai “vivia” cá
em casa.
Mãe,
sei que as engolias depois das duas da manhã, momento que coincidia com o ruído
da entrada das chaves na fechadura.
Lamento
dizer-te que, o teu sorriso matinal quando me acordavas, não me fazia feliz. Ainda
que, cada lágrima escondida aumentasse a minha admiração por ti.
Mãe,
também sei que o teu choro depois da separação do pai era diferente.
Como
explicar isto com a minha idade?
Deixa
cá ver: o anterior era de tristeza e esse era uma mistura de tristeza com desespero,
pelo final da relação.
Que
nervos, Mãe!
Eu
a crescer e tu a continuares-me a tratar como se eu fosse um bebé.
Lá
vinhas tu acordar-me com mais um sorriso mentiroso.
Nunca
tinha pensado que havia sorrisos que nos faziam sofrer.
Mas
já aprendi, Mãe. E foste tu que mo ensinaste, mesmo sem o saberes.
Ainda
agora continuas a chorar à noite, na ilusão que eu não te oiça.
Choras
de preocupação e desgosto, por não me puderes dar o que têm muitos dos meus
amigos.
Choras
todos os meses porque o pai se atrasa no pagamento das pensões de alimentos.
Choras
porque estás cansada de ter dois empregos e de não poderes estar mais tempo
comigo e com a mana.
É
isso!
Já
decidi. Eu tomo conta dela por Ti, Mãe.
É
este o meu presente para Ti.
Podes
confiar.
Parabéns!
Adoro-te!
Beijinhos
do teu filho António.
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