Magia.

São tantas as praças deslumbrantes na cidade onde Maria vive.
Mas, para ela, a Praça da Liberdade é especial.
Maria ignorava se esta sensação que a invadia provinha da expressão “Liberdade”, ou da magnitude da respectiva união com a belíssima Avenida dos Aliados.
O que sabia é que noites havia em que as percorria a pé, sozinha. Adorava a beleza arquitectónica dos edifícios que as rodeavam. Assim premiava as suas vistas e nunca era demais admirar obra feita fosse pela mão do homem, ou pela mãe natureza. 
O local de partida era sempre o mesmo. Estacionou o automóvel junto à edilidade. Nessa ocasião, ponderou dele não sair, porque ameaçava chover. Só que, essa noite, era malogradamente triste. A sua melhor amiga morrera.
Decidiu arriscar. 
Iniciou a sua caminhada.
Se chovesse, quiçá a chuva lhe lavasse a alma e as marcas de um dia tão doloroso.
À medida que pisava a bela calçada portuguesa, o ar vestido de acalmia entrava-lhe pelas narinas e desatava-lhe alguns nós que a vida insistia em dar na sua garganta.
Quando chegou à estátua de D. Pedro IV situada na Praça de sua eleição, começou a chover torrencialmente. 
Ninguém à sua volta. Apenas Maria e os pensamentos que não paravam de assolá-la.
Sozinha sentou-se na base da estátua. Ergueu os braços para céu, permitindo-se chorar compulsiva e encharcar-se totalmente.
O que se seguiu foi um momento mágico  de união: as suas mãos tocaram as nuvens e afagaram uns anjos seus conhecidos que aí passeavam; um deles apenas desde esse dia. E assim se manteve o que lhe pareceu uma eternidade.
De regresso, subiu a Avenida dos Aliados, pela parte da sua recente construção.
Parou junto ao lago.
Novo momento mágico de união: ele enchia-se da água da chuva e da que dos seus olhos jorrava.

Comentários

  1. Maravilhoso! É tão bom quando Nos conseguimos libertar dum nó que teima
    Emnão Nos deixar respirar. Obrigada e bomfim de semana. Abraço

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