O Melhor de Mim


Naquele dia, era meia-noite e Maria 
não conseguia dormir.
Uma da manhã, o sono recusava-se 
abraça-la e até as pílulas  milagrosas 
recusavam a sua função.
A televisão transmitia a 
Deusa Marisa.
Ouviu-a, solicitou-lhe que a embalasse e a 
adormecesse ao som de “Melhor de Mim”.
E ela, generosamente, fê-lo. 
Verdade que por pouco tempo. 
Mas ambas deram o melhor de si.
Malogradamente,nem sempre é suficiente.
No resto da noite, Maria dormitou por pequenos 
períodos, intervalados por um acordar revestido 
de falta de ar.

Quando finalmente se levantou sentia-se 
irada com a vida e com o mundo. 
Antes das oito e meia da manhã já 
estava no hospital para lhe arrancarem 
sangue das veias, facto que a greve
impediu que o tivessem feito num outro 
dia, certo e com hora marcada.
Pouco passava das nove e meia e já estava
noutro hospital. 
Sabem que os médicos, os enfermeiros, os 
técnicos auxiliares de diagnóstico podem faltar?
Porque estão doentes, porque fazem greves, (...).
Mas se os doentes não puderem comparecer 
à consulta marcada? 
Aí uma nova marcação eterniza-se no tempo!
Direitos diferentes para pessoas que deviam 
ser tratadas como iguais. 
Mas para quê preocupar-nos, não é?
Só está em causa o Direito Fundamental 
à Saúde, mais nada!

Naquele dia, depois de tudo aquilo ter vivido, 
Maria decidiu virar o disco. 
Não o do seu gosto musical. 
Isso nunca!
Mas o da sua Vida. 
Chega de pensar em noites mal dormidas,
doenças, sangue arrancado das veias, greves 
e consultas adiadas!
Resolveu cuidar de si e permitir que alguém 
também o fizesse.
Mens sana in corpore sano, via, (não se assustem),
Pilates Clínico. Este é usado, entre várias situações, 
para que a pessoa possa melhorar a sua postura.
Quão bom seria poder aplicar este princípio, 
de melhoramento de postura-atitude,
para manhãs como aquela!

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